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Meu filho autista precisa de uma A.T. na escola e agora?

Muitos pais se preocupam com a questão do Acompanhante Terapêutico na escola. Os questionamentos mais frequentes costumam ser:

Como funciona?

Qual o seu papel?

Precisa mesmo?

Meu filho vai ficar dependente?

Até quando vai ser necessário?

A escola é um dos principais ambientes onde as habilidades sociais podem ser trabalhadas de forma mais natural. É lá que temos maiores oportunidades para generalização de habilidades aprendidas em terapia e interação com os pares. Pois bem, se temos uma criança com dificuldades, sejam elas acadêmicas ou sociais, porque não contar com os direcionamentos de um acompanhante?

O desenvolvimento da criança pode e vai ficar ainda melhor se o profissional responsável pelo acompanhamento tiver seu trabalho alinhado com os profissionais responsáveis pela terapia em casa. Isso porque as intervenções devem ser complementares. Muitas vezes a criança não consegue executar determinadas demandas estabelecidas na escola por conta da falta de alguns pré-requisitos, e é aí que o ensino em terapia entra. As habilidades não aprendidas virarão metas a serem atingidas em ambiente controlado (terapia 1X1: terapeuta e criança) com treino intensivo. Por exemplo, imagine uma criança com dificuldade em imitar os movimentos do professor ao tocar um instrumento, durante a aula de música. Provavelmente, ela precisará treinar aqueles movimentos específicos no programa de imitação motora em sessão até que tal habilidade fique aprendida e, passe a ser executada também em outros ambientes (no caso, a escola).

Mas onde entra a A.T. nisso? O profissional auxilia a criança com dicas físicas ou verbais ocupando a posição que chamamos de “sombra” do aluno. Sombra, pois ficará atrás e não de mãos dadas e/ou realizando as atividades pela criança, criando dependência. O nível de dica será estabelecido de acordo com o que for necessário para cada demanda e seu esvanecimento é proporcional à sua evolução. Por isso, é arriscado determinar até quando a criança precisará de alguém para auxiliá-la, já que isso vai depender de vários fatores como número de horas da terapia, consistência na aprendizagem e evolução da criança.

Quando falamos de demandas, nos referimos às demandas tanto acadêmicas quanto sociais. Muitas crianças são ótimas nas propostas escolares, porém quando se trata de interação social muitas não sabem como se comportar. Cabe ao AT saber aproveitar ao máximo as oportunidades para incluí-la. Ao se tratar de inclusão vale lembrar que ela deve ser feita da forma mais reforçadora possível. Assim, não corremos o risco de tornar o ganho dessa, ou de qualquer outra habilidade, aversivo. Pense uma criança que já tem dificuldade em conversar ser exposta a isso insistentemente. As relações tem que ser prazerosas tanto para aquela que está aprendendo quanto para o colega que está ajudando, aumentando a chance deste comportamento voltar a ocorrer.

Quando necessário, as demandas acadêmicas, podem e devem ser adaptadas para que, dessa forma, a criança consiga se aproximar o máximo possível do conteúdo dado em sala de aula. Caso a criança tenha maiores dificuldades e/ou a atividade proposta não seja funcional ou de fácil manejo para adaptação, o adulto deve analisar o momento certo de retirar o aluno da classe e direcioná-lo para o ensino 1×1. É nesse momento que o acompanhante aplica os programas estabelecidos.

Mas, como uma criança será incluída se está sendo retirada do ambiente? Pois bem, o conceito de que para estar incluso deve estar sempre com os pares é equivocado. A criança deve participar se o que foi sugerido tiver função para ela. Estar sentado na carteira não significa estar incluído se a atividade não foi pensada e adaptada para que, dentro de suas dificuldades, o aluno consiga executar. Por isso, o trabalho do acompanhante se torna tão importante e singular.

Giovana Vasconcellos – Supervisora ABA Grupo Conduzir. 

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