Tratamento neurofeedback para autistas obtém bons resultados

Segundo dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe no mundo um caso de autismo para cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, tenha cerca de 2 milhões de autistas. Apesar de numerosos, eles ainda sofrem para encontrar tratamento adequado.

Um centro que pretende ser referência no tratamento de autismo deve, obrigatoriamente, oferecer um atendimento multidisciplinar e os mais modernos tratamentos. Com o neurofeedback, por exemplo, é possível aproveitar a neuroplasticidade do cérebro para criar e treinar novas conexões, dentro de protocolos específicos, ajudando a reverter e/ou minimizar comportamentos típicos do autismo.

A jornalista baiana Adriana Nogueira é mãe de um menino de 12 anos que nasceu dentro do espectro autista, com apenas 10% do cérebro conectado. “Eu dizia que meu filho era 10% encarnado e 90% anjo, mas sabia que conseguiria puxá-lo 100% pelo seu fio etéreo. O neurofeedback foi o tratamento que o ajudou a dar um verdadeiro salto no seu desenvolvimento”, comenta.

Com as sessões de neurofeedback em São Paulo, o garoto agora tem 100% do cérebro conectado e, sabendo que nem todas as pessoas têm acesso ao tratamento, Adriana quer levar para Salvador o mesmo método que fez no primeiro Centro de Treinamento Neurológico por Neurofeedback com Certificação BCIA no Brasil (Biofeedback Certification International Alliance), órgão americano que monitora e certifica a prática do Neurofeedback internacionalmente, e a única clínica sul americana recomendada internacionalmente para a prática do Neurofeedback pela Brainworks, maior centro de treinamento do centro do Reino Unido.

Através desse tratamento, o cérebro autista pode reconfigurar sua rede de conexões e, com isso, recuperar total ou parcialmente, sua capacidade de interação social e cognitiva, com a respectiva regressão de sintomas e comportamentos disfuncionais.

A técnica, desenvolvida há cinco décadas, consiste em efetivo treinamento neurológico do cérebro, em que se corrige atividade comprometida de circuitos cerebrais envolvidos com funções cognitivas como concentração, aprendizagem, memorização, além de equilíbrio emocional. O processo não utiliza medicamentos, apenas os estímulos sonoros e visuais, fornecidos ao cérebro toda vez que produz atividade dentro de parâmetros de normalidade, nas áreas e estruturas em treino.

O psicólogo especializado em neurofeedback nos Estados Unidos e Mestre em Neurociência pela Universidade de São Paulo (USP), Leonardo Mascaro, explica que, em saúde mental, tudo começa com diagnóstico. “Geralmente o diagnóstico é feito somente com base em observação clínica, mas o que faço se diferencia porque faço uso de marcadores biológicos para fechar um quadro. É seguro e não tem nada mais preciso e poderoso do que isso em termos de diagnóstico”, argumenta.

Na prática, o tratamento consiste, inicialmente, na realização de exames da atividade elétrica do cérebro – o que inclui uma tomografia funcional que monitora a atividade das estruturas profundas do cérebro – para diagnóstico de cada paciente. Assim, estes exames permitem que sejam mapeados os comprometimento que acometem o cérebro de cada paciente e, a partir daí, elaborados os protocolos personalizados para treinamento e correção destas estruturas cerebrais disfuncionais. O tratamento, então, envolve o treinamento destas áreas.

“O que faço é o neurofeedback z-escore, uma evolução do neurofeedback tradicional. É a única forma não invasiva e não medicamentosa de tratamento de desordens mentais com base em médias populacionais. Em termos leigos, o computador apenas fornece sinalização sonora e visual que orienta o cérebro, avisando-o quando sua atividade está dentro daquela esperada, em cada uma das áreas e estruturas em treino”, explica.

Apesar de Mascaro estar disposto a fazer parcerias em Salvador, o projeto ainda precisa de grande investimento, uma vez que há uma série de equipamentos importados que precisam ser comprados.

Ampliar o tratamento

Adriana gostaria de que o acesso ao neurofeedback chegasse ao maior número de famílias, especialmente as de baixa renda, por isso seu maior desejo é trazer o tratamento para o Centro de Referência Estadual para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (CREA-TEA) – Novo Mundo, que poderia fazer o atendimento pelo SUS. “Eles simpatizam com a ideia, mas o projeto envolve muitas variáveis e entendo que o Centro precise se preparar criar projetos especiais que possam viabilizar essa iniciativa”, expõe.

O neurofeedback ainda é uma pauta de discussão para o corpo técnico do Centro. O CRE-TEA vem cobrindo uma grande lacuna de assistência aos portadores de autismo, visto que não havia, na Bahia, até a inauguração da unidade uma padronização do atendimento através do SUS.

Centro atende na Bahia

“Desde a abertura, em 28 de novembro de 2016, fizemos mais de seis mil atendimentos com uma equipe multiprofissional. Isso tem impacto direto e positivo na vida das pessoas”, relata Carlos Emanuel Melo, Presidente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, gestora do Centro de Referência Estadual para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (CRE-TEA) – Novo Mundo.

Melo explicita que a expectativa é que no futuro o Centro distribua o modelo de matriciamento para que a rede de assistência de saúde psicossocial tenha a possibilidade de diagnosticar e tratar precocemente as crianças que apresentem o TEA. “Dessa forma, podemos encontrar uma situação e uma oportunidade de tratamento melhor do que a que vivenciamos hoje em dia, oportunizando melhor qualidade de vida e avanços para essas crianças e suas famílias”, complementa.

Via A Tarde

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